Se engana quem pensa que um cantor só precisa cantar durante um show. Na verdade, isso até pode acontecer, mas faz toda a diferença quando um artista se propõe a um pouco mais.
Isso aconteceu com o Riize, grupo masculino sul-coreano, que fez questão de entregar o primeiro show no Brasil muito além de uma sequência de músicas.
Vindo do outro lado do mundo, o conjunto mostrou ter estudado o país, incluindo na apresentação detalhes relacionados ao Brasil, o que tornou o espetáculo ainda mais proveitoso aos fãs.
Aliás, tudo isso aconteceu em um sideshow intimista, feito na quinta-feira (19), que antecedeu a apresentação oficial do grupo por aqui, no grandioso palco do Lollapalooza 2026, no sábado (21). No primeiro compromisso dessa agenda, as interações pareceram genuínas e não apenas ensaiadas para arrancar gritos da plateia – por mais que isso também tenha acontecido. Resumindo, é como se eles soubessem da potência e do carinho vindo do Brasil e, por isso, decidiram por entregar uma troca à altura.
RIIZE MOSTRA CARINHO COM BRASIL

O grupo se apresentou no Terra SP, na região de Campo Grande, em São Paulo. O local conta capacidade para comportar cerca de três mil fãs, número na medida certa para um grupo de K-Pop que tem uma carreira de pouco tempo e que ainda não conseguiu emplacar um hit à nível global.
Cheguei faltando mais de uma hora para o início do show, previsto para às 21h30. Como sempre, a área mais próxima do palco estava amontoada de pessoas, enquanto a parte traseira era ocupada por aqueles que não queriam ficar na muvuca e se deram ao luxo de esperar sentado o começo do espetáculo.
Para quem não sabe, o Terra SP tem uma espécie de dois andares, proporcionando uma visão privilegiada de todo o palco – por mais que duas pilastras em cada ponta do local atrapalhem parte da visão. De todo o modo, um pequeno grupo de meninas no primeiro pavimento se destacou ao mostrar uma energia lá em cima mesmo sem a presença dos integrantes. Era uma prévia de que a perfomance seria marcada por um show dos próprios fãs à banda.
Em meio à jogos de luzes e fumaça, o Riize apareceu ao som de Siren. Quase não dava para ouvir as vozes dos microfones pelo barulho da plateia, que cantava a plenos pulmões. Bom, isso deu ainda mais gás ao sêxtuplo, que caprichou nos movimentos sincronizados da coreografia.
O clima continuou assim em Fame e Ember To Solar, respectivas faixas da setlist. A primeira interação veio logo depois disso, sendo conduzida, em suma, por Anton, o mais novo do grupo, mas o que mais parecia estar à vontade.
“Estão se divertindo bastante?”, perguntou ele, mesmo já sabendo da resposta. Em seguida, os demais integrantes se apresentaram e soltaram elogios à entrega brasileira logo no início do concerto. Antes da cantoria continuar, a plateia puxou parabéns para Eunseok e Anton, aniversariantes de março.
Combo deu sequência ao repertório tocado na noite e marcou o primeiro momento mais introspectivo, com foco nos vocais e sem coreografia. Tenho que destacar a qualidade do som, que saiu em ótimas condições. A banda também merece elogios, mostrando a importância de instrumentos orgânicos mesmo em um concerto intimista.
Nos teclado, estava Jo Sungtae. A guitarra era comandada por Im Minki. No baixo, Song Geunho. O responsável pela bateria era Song Gookjeong.
No ato dois, a já citada Combo, além de Show Me Love e Love 199, está última com direito a Acapela no refrão final, marcaram presença. Posteriormente, mais uma pausa para beber água e conversar com os brasileiros. Surpreendendo o público, os seis começaram a entoar “Eu Não Vou Embora”, que geralmente é cantada pelos fãs aos ídolos. Um momento engraçado e inusitado que deixou a plateia ainda mais encantada com o estudo do grupo com a cultura local.
Ainda, Anton apresentou em português o cover de Águas de Março, de Tom Jobim. “É março e está chovendo, então…”, explicou ele antes de começar a cantar.
O Riize pode não ter conseguido se destacar ainda, tanto no mercado sul-coreano quanto na indústria global da música. Querendo ou não, é um grupo fabricado e segue todos os moldes do K-pop, mas falta um diferencial para que eles alcancem um reconhecimento maior. Contudo, uma coisa eles já possuem de sobra: muito carisma e respeito aos locais em que suas músicas chegaram.
SETLIST – RIIZE NO TERRA SP
- Siren
- Fame
- Ember to Solar
- Combo
- Show Me Love
- Love 119
- Impossible
- All of You
- Talk Saxy
- Get a Guitar
- Boom Boom Bass
- Bag Bad Back
- Honestly / Odyssey / Inside My Love / One Kiss (pedidos da audiência)
- Águas de Março (Antônio Carlos Jobim cover)
- Memories
- Fly Up
