Mon Laferte transforma o Espaço Unimed em um encontro latino tomado por emoção e intensidade

Reportagem e fotografia: Luis Felipe Moura

No último sábado, 16 de maio, o Espaço Unimed ficou pequeno pra quantidade de gente que parecia precisar estar ali. E isso dava pra sentir antes mesmo da abertura dos portões. A fila já dobrava a esquina cedo, misturando sotaques de fãs que claramente tinham atravessado países pra ver aquele show acontecer.

Além dos brasileiros, era impossível não notar a presença de chilenos, mexicanos, colombianos e argentinos espalhados pela casa. Não parecia só mais uma data de turnê em São Paulo — o clima era de um grande encontro latino, daqueles que acontecem quando um artista realmente cria conexão com seu público, não importa a localidade.

Essa foi a segunda passagem de Mon Laferte pelo Brasil. A primeira aconteceu em março de 2025, no Tokio Marine Hall, durante a turnê de Autopoiética, com ingressos esgotados e um público que saiu de lá falando daquela noite por semanas. Agora, ela retorna com seu disco mais recente, um trabalho mais escuro, sofisticado e teatral, mas que também mostra uma Mon ainda mais segura artisticamente.

Lançado em 2025, FEMME FATALE transita entre jazz, bolero, soul e pop alternativo dentro de uma estética inspirada justamente na figura da femme fatale — intensa, contraditória, misteriosa e completamente dona da própria narrativa. No palco, isso virou imagem através de uma direção visual muito bem construída: iluminação em tons quentes alternando com azuis frios, sombras fortes e uma atmosfera quase cinematográfica, sem soar excessiva em nenhum momento.

O setlist encontrou um equilíbrio muito bonito entre as músicas novas e os clássicos que o público esperava ouvir. “La Tirana”, parceria com Nathy Peluso, ganhou outra dimensão ao vivo e acabou se tornando um dos pontos mais fortes da noite. “Esto Es Amor” trouxe um momento mais leve e festivo, enquanto “Tormento” e “Mi Buen Amor” transformaram a casa inteira em um coro coletivo daqueles impossíveis de ignorar.

Os “eu te amo” atravessaram o show inteiro, gritados por um público caloroso que parecia estar totalmente cativado pela simpatia da artista. Mon recebia cada demonstração de carinho com uma naturalidade muito bonita de assistir. “Amárrame” apareceu mais madura dentro dessa nova fase da turnê, e “Tu Falta de Querer” levou o Espaço Unimed a um êxtase emocional coletivo. Quando os primeiros acordes começaram, ninguém tentou economizar voz ou emoção.

O Ponto alto da noite foi uma surpresa preparada para os fãs. Tiago Iorc subiu ao palco para cantar ao lado de Mon Laferte “Hasta que nos despierte la soledad”, parceria dos dois presente em FEMME FATALE. O dueto ao vivo teve uma dimensão completamente diferente do que a gravação entrega — as vozes dos dois juntas no palco, diante de um público que claramente não esperava por aquele momento, criaram um dos instantes mais emocionantes que o Espaço Unimed já viu.

No fim da noite, ficou a sensação de assistir uma artista vivendo uma das fases mais interessantes da própria carreira — e sendo recebida no Brasil exatamente do tamanho que merece. Mon Laferte e o público brasileiro parecem ter construído uma relação muito rara: intensa, barulhenta e absolutamente recíproca.

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