Ao ser atraído pela calmaria, o ser humano descobre novas formas de expressar os sentimentos mais pertinentes em sua rotina emocional. Um fenômeno até comum para aqueles que fogem da realidade para além da poesia cantada. Na música, esse fato se estabelece em versos e melodias que casam entre si, como é o caso da banda Infinito Latente. Chamando atenção na cena Indie brasileira, a banda desdobra as faces da melancolia de forma leve e contínua com o lançamento do seu primeiro álbum “Sem Início Nem Fim” (2026) produzido por Gabriel Olivieri com selo Retalho Music.
O grupo paulista formado por Maira Bastos (vocal), João Dussam (vocal e violão), Igor Sganzerla (teclado) e Pedro Sardenha (baixo), segue a linha das produções independentes, afirmando que prioriza cem por cento a criação autoral. Inspirados tanto por grandes nomes influentes do MPB, como Chico Buarque e Tropicália, quanto por artistas regionais do Vale do Paraíba, como Sofia Chablau e outros artistas alternativos brasileiros, a Infinito Latente experimenta uma forma sutil de fazer música e falar sobre as nuances da vida. Na continuidade, o termo “indie” aqui é apenas uma forma de destacar o seu nome dentro dos diversos gêneros e subgêneros musicais que existem atualmente, visto que a banda acentua o berço brasileiro de suas maiores influências.
“A gente é do Vale do Paraíba, interior de São Paulo, e ali tem uma musicalidade específica pois existe a cultura de fazer as próprias músicas. Na cidade de São Luiz do Paraitinga, que é uma cidade que tem um carnaval famoso na região e que todas as músicas cantadas são eles que fazem, eu sempre cresci achando que era assim no mundo inteiro, sabia? Depois que fui perceber que era uma coisa regional.” – declarou João em uma entrevista exclusiva para a Glumy.
Ao externalizar
Todo processo criativo exige que a ideia inicial esteja disposta a ser dissecada, modificada ou até mesmo somada a outras ideias pouco convencionais. No caso do álbum de estreia da Infinito Latente, os artistas revelaram que esse processo durou bem mais de um ano e foi nesse período que puderam observar na prática como implementar suas inúmeras referências nas ideias principais de Maira e João. No início, a voz e o violão eram suficientes para expressar o sentimento que trazem do interior de São Paulo, mas talvez precisasse de mais detalhes, não para diferenciar, mas para destacar um desenvolvimento mais moderno do estilo no Brasil. Externalizando tanto sentimentos quanto talento nato, a banda se torna algo único que promete manter a síntese de uma identidade em plena construção.
Ainda existe a vontade de mesclar essas ideias a um estilo mais voltado para o rock, com mais guitarras e intensidade nas mixagens, algo que era desejo logo no início mas que acabou ficando de fora – por enquanto. Segundo eles, esse desejo implica mais com a necessidade de tentar achar o estilo que mais traduz a criatividade do grupo. “Acho que é uma coisa de momento (focar no MPB) então faz total sentido a gente ir caminhando para isso, né? E sair de onde a gente tá, fazendo esse caminho aí.” – comentou Maira.
Para um futuro próximo
Ainda com um lançamento tão recente, a banda visa projetos futuros e mentaliza os melhores cenários a partir deste ponto. “Atualmente a gente tá em paralelo com alguns amigos que se juntaram para fazer um trabalho de audiovisual, então a gente pretende lançar um clipe aí para maio talvez; A gente também pretende começar a gravar um EP acústico de algumas canções, trazer mais esse violão, uma uma vibe mais intimista assim, eu acho que pode ser importante para a gente ter esse material também, pra gente rodar com nosso som.” – disse Maira.
Além de explorar outros caminhos sonoros, a Infinito Latente anseia por levar seu trabalho para inúmeras localidades, com desejo de realizar turnês que passariam por diversas cidades e casas de shows. Em uma pergunta mais descontraída, questionamos se eles teriam em mente algum lugar específico onde tocar seria a realização de um sonho e, em resposta, citaram o Festival do Sol e o renomado Rock The Mountain como objetivos futuros. João e Maira também comentaram que tocar no Circo Voador, no Rio de Janeiro, seria incrível pelo fato do local carregar um simbolismo histórico para a música brasileira e seus artistas.
Alto e Bom Som
No dia 6 de março a banda realizou sua primeira apresentação no palco do Bar Alto, em São Paulo. O “Alto e Bom Som”, projeto de iniciativa do Minuto Indie, Popload, Balaclava Records e Circuito Nova Música, reuniu alguns nomes da cena alternativa local, trazendo também a banda curitibana Juia para somar no repertório da noite.
Entre a ansiedade de performar algo tão íntimo e sincero e a empolgação de tornar um sonho realidade, a banda enfatizou que a melhor parte é poder compartilhar esse som com as pessoas e sentir o apoio de todos que realmente se interessam pela cena alternativa.
Confira os registros feitos pela Ayumi Ranzini:



















