Com um line-up que sempre chama atenção por nomes do mainstream como as grandes atrações da noite, o Lollapalooza também separa um espaço na grade de shows para artistas menores e mais nichados, que talvez não sejam tão conhecidos pela esmagadora maioria do público.
Mas, nos últimos anos, a curadoria do festival vem mudando e apresentando novidades ainda maiores, que não só geram disrupção pelo apelo comercial, mas também quebram preconceitos e barreiras geográficas. Em 2026, o Lollapalooza Brasil promove pela primeira vez na programação um grupo de K-pop. O sêxtuplo RIIZE sobe ao palco do evento no dia 21 de março (sábado), no Autódromo de Interlagos (SP), marcando também sua estreia em solo nacional.
Além de servir como uma baita vitrine ao próprio conjunto, ampliando a visibilidade fora da Coréia do Sul e consolidando a base de fãs no Brasil, a participação deles no evento também serve como proveito para os festivaleiros, que podem explorar outras formas de música e acabar descobrindo, quem sabe, uma nova banda favorita.
Mas afinal, o que é o RIIZE?
O RIIZE é um grupo formado pela SM Entertainment, empresa que faz parte do famoso “Big 4”, ou seja, das maiores quatro companhias de entretenimento e música da Ásia. Pode-se dizer que já começaram com um passo à frente.
Debutaram oficialmente em setembro de 2023 com o single Get A Guitar, um upbeat com linhas dinâmicas de cordas como baixo e guitarra que conduzem todo o tom da música. Com uma letra divertida e simples, a composição mistura coreano com alguns versos em inglês, conversando com o público asiático e internacional.
Nos seguintes lançamentos, o conjunto apresentou novas facetas. Talk Saxy já mostra uma estética puxada para o hip-hop e sonoridade caracterizada por um loop de saxofone levemente distorcido no refrão. Siren veio com uma pegada mais agressiva de som e uma coreografia elaborada, com trocas rápidas de posição e angulações diferentes entre os membros.
Estas duas últimas integram o primeiro EP do RIIZE, Riizing, disponibilizado ao público em junho de 2024 e que sucedeu o single album Get a Guitar. Vendeu mais de um milhão de cópias e alcançou o top 2 da parada Circle Album Chart, que classifica as coletâneas mais populares da Coréia do Sul.
O ano de 2024 ainda foi marcado por mudanças dentro do grupo. A SM precisou lidar com um escândalo envolvendo o integrante Hong Seunghan, que viralizou entre a mídia sul-coreana após fotos vazadas em que aparecia fumando e com uma ex-namorada. Por mais inofensivo que pareça o fato, a indústria de entretenimento asiática, principalmente no ramo musical, ainda é envolta por tabus e regras rígidas sobre o comportamento e vida pessoal dos idols. Tanto é que Seunghan foi afastado durante 10 meses das atividades da banda e, após debates internos, foi anunciada sua saída oficial. A notícia veio acompanhada por um breve pronunciamento do artista, que escreveu:
“Minha saída do grupo é o caminho certo para todos. Não quero causar mais mágoa ou confusão para os fãs, e não quero prejudicar mais os membros, e também não quero prejudicar mais a empresa.”
Os integrantes do RIIZE
Os seis integrantes do RIIZE são: Shotaro, Eunseok, Sungchan, Wonbin, Sohee e Anton.
Jung Sungchan (24) e Osaki Shotaro (25) vieram com bagagens de um outro grupo já consolidado da mesma empresa: o NCT U, aparecendo no MV de “Make a Wish (Birthday Song)”. No RIIZE, ambos estão responsáveis pela Rap Line do grupo. O vocal principal é liderado por Sohee (22), enquanto Song Eunseok (24) e Anton (21) também apoiam como vocalistas. Wonbin (24) é o main dancer, tendo criado – em conjunto com Shotaro – uma coreografia alternativa para “Love 119”, música lançada pela banda em 2024.

Sobre Shotaro, o mais velho, o idol nasceu no Japão e foi inspirado pela mãe, uma bailarina, a ingressar no ramo artístico. Tornou-se dançarino profissional, aparecendo como backdancer da banda Exile e do cantor Gackt. Curiosamente, também era um criador de conteúdo do TikTok, onde postava vídeos dançando músicas do NCT. Foi assim que chamou atenção de um olheiro da SM e, então, ingressou no grupo.
Sungchan, da Coréia, gostava de esportes e jogava futebol no tempo da escola. Surpreendetemente, chamou atenção da compampanhia, mas rejeitou duas propostas da empresa para fazer parte de um grupo de K-Pop. Frequentemente elogiado pela aparência, acabou aceitando participar de um teste e se juntou ao NCT em 2020.
Entusiasta de dança, Wonbin parece que sabia o que queria seguir de carreira, mas teve inseguranças quando finalmente foi aceito pela SM. Em um vídeo que os membros aparecem relembrando os tempos de trainee, ele comentou ter ligado para os pais com receio de não ser tão bom quanto os outros.
Além da música, Song Eunseok já mostrou interesse em construir uma trajetória nas telonas como ator. Entre seus ídolos na indústria artística, está o vocalista principal do TVXQ, Changmin.
Sohee, da Coréia do Sul, também já revelou algumas inspirações, incluindo nomes como Bruno Mars e Justin Bieber como colaborações dos sonhos. Além das atividades no RIIZE, também já trabalhou como MC do M!CountDown.
O maknae Anton é um grande apreciador da Música Popular Brasileira. Em uma postagem no Bubble, criado para permitir que idols e fãs interajam, ele mostrou uma playlist repleta de sons brasileiros, incluindo clássicos e músicas de Gilberto Gil, Maria Luzia Jovim, Mahmundi, Carlos Lyra e Rapaz Ego.
Grupo como contribuidor social
Apesar de ser um conjunto com pouco tempo de experiência, o RIIZE já usou sua influência para importantes causas sociais. Em 2025, doaram cerca de 100 milhões de won (aproximadamente R$ 350 mil) para a fundação Walking With Us Children’s Foundation, que tem como objetivo incentivar a educação musical entre crianças carentes.
Ainda no mesmo ano, ajudaram as vítimas do incêncio fatal em Tai Po, em Hong Kong, no Japão, do incêndio fatal em Hong Kong. O grupo doou R$ 171 mil.
O que esperar do RIIZE no Lollapalooza Brasil 2026?

Os fãs que já acompanham o sêxtuplo têm motivos de sobra sobre não perder o show do RIIZE no Lolla BR. Mas, para quem quer entender o hype do gênero e ter a experência de curtir uma apresentação de K-Pop, a oportunidade é agora.
Com músicas que transitam entre territórios do pop, hip-hop, eletropop e baladas melosas, o repertório deve agradar diferentes públicos, passeando pela discografia composta pelos projetos Get A Guitar (2023), Riizing (2024) e Odyssey (2025). Assim, o som não é tão distante à música ocidental, contando também com a ajuda de refrões repetitivos e fáceis de acompanhar.
Não há como falar de um concerto de K-Pop e nao mencionar as coreografias elaboradas e sincronizadas, que deixam o público quase que hipnotizado ao assistir. Tirando nos atos introspectivos, com faixas mais sentimentais e interpretativas, o concerto é altamente construído na dança, sendo um grande diferencial entre as demais apresentações do festival.
Por se tratar de um festival, ainda não se sabe se o grupo conseguirá apresentar um palco personalizado, com cenografias que remetam às músicas e à estetica da banda. Mas outros efeitos visuais e práticos devem complementar o espetáculo, como jogos e luzes e pirotecnicas em momentos calculados, dando mais dinamismo na performance e entretendo a plateia.
Antes da grande estreia no Lollapalooza Brasil 2026, o RIIZE fará um show extra em São Paulo, no Terra SP, em 19 de março, dando um gostinho sobre o que estará por vir no fim de semana seguinte.
