E se Steve nunca tivesse existido? | Quando Joe virou Djo

Do underground psicodélico de Chicago aos palcos do Lollapalooza Brasil: Como Joe Keery transformou um pseudônimo em uma carreira sólida fora das telas.

Aproveitando que falta pouco para o Lollapalooza Brasil 2026, onde o cantor já é presença confirmada, vale a pena responder à pergunta: Para além de Chicago, quem é Djo fora do fenômeno Tik Tok?

Não muito tempo atrás, houve um momento em que abrir redes sociais era praticamente sinônimo de ouvir End of Beginning (2022) em sequência quase como se o algoritmo tivesse decidido que naquele instante, a nostalgia seria o tema compartilhado em massa ao redor do mundo. A faixa virou tendência e principalmente trilha sonora para posts sobre memórias que, naquele ponto, já não se limitavam apenas a Chicago.

Com a explosão da música, muita gente descobriu que o Steve de Stranger Things também tem uma carreira como cantor sendo o responsável pela faixa. Mas é importante considerar que sua trajetória na música começou muito antes do personagem sequer existir e até mesmo de Joe imaginar que algo criado por ele se tornaria mundialmente viral nesse nível.

Para que Djo pudesse surgir, antes existia apenas Joe. Uma criança que assistiu a Escola de Rock (2003) e pensou: isso é incrível, eu quero fazer isso.

Em Chicago, ele montou uma banda com amigos. Eram seis integrantes dividindo ensaios, guitarras e a vontade de soar grandiosos. A banda, que se autodenominou Post Animal, apostava em um som que lembrava o trabalho do Tame Impala, com uma forte pegada de rock psicodélico.

Depois de participar de diversos projetos menores e comerciais de TV, veio a grande oportunidade em Stranger Things e tudo mudou. A série o levou para outro nível de exposição, para Los Angeles, para uma fama que cresce rápido demais. Mas a música não ficou para trás, ela apenas precisou encontrar outro espaço. E quando ganhou forma independente ganhou também um novo nome.

Créditos: @caitytakesphotos

Por que ele fez isso? Muito simples. É comum que atores, durante ou depois da carreira nas telas, tentem a sorte na música. Mas, no caso de Joe, a música veio primeiro e sempre esteve ali. Em determinado momento, surgiu a necessidade de separar a carreira de ator da cena musical que ele também já fazia parte.

Enquanto outros artistas talvez aproveitassem o hype de já serem reconhecidos, Joe seguiu pelo caminho oposto. Fazia questão de usar perucas e disfarces, preferindo que a voz falasse por si e não o seu rosto famoso pela série que se tornou um marco gigantesco na cultura pop. 

Três novas letras, mesma pessoa

O primeiro single lançado neste novo capítulo foi Roddy, em 2019. Pouco depois veio Chateau (Feel Alright). Era o início oficial de uma nova era.

Em setembro daquele mesmo ano, chegou o álbum de estreia, Twenty Twenty, com 12 faixas. O disco apresenta um som psicodélico, levemente torto, cheio de sintetizadores e inquietação. Nos palcos, Djo também cultivava uma estética própria, sendo um alter ego evidente, distante da imagem já conhecida do ator.

Em 2020, lançou o single Keep Your Head Up, mantendo essa fase mais introspectiva. Dois anos depois, em 2022, veio o segundo álbum, Decide. Foi desse disco que saiu End of Beginning, faixa que só explodiria de verdade em 2024. Seu maior marco chegaria em janeiro de 2026, quando a música alcançou o topo do Spotify Global, superando The Fate of Ophelia, sucesso de Taylor Swift.

Seu trabalho mais recente chegou em abril de 2025, apresentando seu terceiro álbum de estúdio, The Crux. Com 12 faixas, o pronto trouxe os singles Basic Being Basic, Delete Ya e Potion, revelando um artista mais seguro, menos escondido atrás do conceito e mais confortável com a própria identidade.O que começou como um pseudônimo virou trajetória e, aos poucos, ele conseguiu se firmar com uma carreira paralela sólida, construída no próprio ritmo.

Com encontro marcado com o público brasileiro, Djo se apresenta no Lollapalooza Brasil em 22 de Março (Domingo) no Palco Budweiser. O show está previsto para começar às 16h55 e promete entregar ao público um fim de tarde marcante, diante de uma platéia onde possivelmente muitos conheceram seu trabalho principalmente por meio do hit viral. O artista terá a oportunidade de apresentar ao vivo um repertório que recebe influências de outras décadas somadas para oferecer como resultado final um som Indie rock moderno que vai além do fenômeno digital.

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