Quando a expectativa é alta, se reinventar vira necessidade? Conheça a história da banda que você precisa redescobrir ou conhecer em 2026
A história da música já provou diversas vezes que Manchester é palco para o surgimento de diversos projetos com potencial. Depois de nomes como Joy Division, The Stone Roses e Oasis conquistarem gerações em outros cenários marcantes na terra inglesa, 2014 foi o início de um novo capítulo para jovens com vontade de fazer música.
O Pale Waves nasceu do encontro entre duas estudantes na universidade: Heather Baron-Gracie (voz e guitarra), que cresceu tocando com o pai e admirando ícones como Dolores O’Riordan (The Cranberries) e Shirley Manson (Garbage) com a baterista Ciara Doran, que sempre soube que seu destino estava nas baquetas, inspirada por nomes que vão de Neil Peart a Travis Barker. O quarteto se consolidou com a chegada de Hugo Silvani (guitarra), que descobriu a banda após ouvir demos no SoundCloud e de Charlie Wood (baixo), “roubado” de outro grupo por ser, nas palavras de Heather, bom demais para ser deixado para trás.
Singles | identidade em construção
Entre 2017 e 2018, o Pale Waves deixou de ser apenas uma promessa indie para se tornar um nome em ascensão na cena alternativa. Foi nesse período que a banda não só chamou atenção com seus primeiros singles, como também começou a construir uma base de fãs. O single de estreia, There’s a Honey, ganhou videoclipe oficial em abril de 2017 e marcou o início dessa virada. A faixa carrega o “toque de Midas” na produção de Matty Healy e George Daniel, integrantes do The 1975, que além de produtores se tornaram colegas do grupo. O resultado foi um som nostálgico e melancólico, a porta de entrada perfeita para o universo que o Pale Waves começava a construir.
Na sequência, Television Romance chegou em setembro do mesmo ano e rapidamente se transformou em um dos maiores sucessos da banda, ampliando seu alcance e consolidando sua identidade sonora. O videoclipe traz a assinatura do próprio Matty Healy, ao lado do diretor Samuel Burgess-Johnson, reforçando a conexão criativa que a banda escolheu trabalhar naquele momento. A estética era impecável: um visual oitentista que ao mesmo tempo parecia saído de um filme vampiresco adolescente. As roupas de Heather se assemelhavam muito ao estilo de Robert Smith, contrastando com um indie pop/rock.
No entanto, o sucesso veio acompanhado de desafios como provar que não eram apenas só mais uma banda que utilizava essa estética e que não faziam apenas uma grande repetição completa de suas inspirações. Antes do lançamento do primeiro projeto longo, o quarteto lançou seu primeiro EP, All the things i never said, com quatro músicas em 2018, mesmo ano em que promoveu o lançamento do álbum de estréia, My Mind Makes Noises. O projeto chegou mergulhando fundo na vibe synthpop, mas uma parte do público continuava a se perguntar se a banda conseguiria encontrar uma voz própria além das comparações.
A Virada de Chave | Do Pop Punk à Maturidade
A resposta veio em 2021 com Who Am I. Depois de consolidar uma estética fortemente inspirada pelo synthpop oitentista, a cantora percebeu que já não conseguia repetir a mesma fórmula. “Sinto falta do som da música dos anos 80, mas eu simplesmente não conseguia fazer outro disco daquele tipo. Eu precisava criar este álbum”, declarou à revista Atwood. A frase não soa como rejeição ao passado, mas como necessidade de evolução.
O novo disco abraçou a sonoridade pop rock dos anos 2000, trazendo o espírito de Avril Lavigne e Alanis Morissette no ano de 2021. O álbum também começou a mostrar os primeiros traços de maturidade ao lidar com questões mais pessoais como a sexualidade da própria vocalista. She’s my Religion se tornou uma música de grande importância ao retratar de maneira aberta a aceitação e conforto de Heather com ela mesma.
Essa jornada continuou com Unwanted (2022), com produção de Zakk Cervini (Blink-182, All Time Low) o álbum recebeu um tom que, segundo a revista Rolling Stone UK, remete ao início do Paramore e Sum 41. O álbum buscou trabalhar temas densos, mais delicados e profundos.
Smitten | O Encontro com a Própria Essência
Em 2024, o lançamento de Smitten representou para muitos críticos e fãs o auge criativo do Pale Waves. Produzido por Iain Berryman (conhecido por trabalhos com Wolf Alice e Beabadoobee) ao lado de Simon Oscroft e Hugo Silvani, o álbum é um projeto maduro que olha para o passado sem cair na repetição, reforçando a trajetória da banda em buscar a cada novo trabalho um toque genuíno, utilizando a liberdade como forma de expressão. Há o brilho ingênuo dos primeiros singles em faixas como Perfume e Glasgow, mas com um toque diferente que só o passar do tempo e as vivências ao longo da vida são capazes de oferecer. É um disco que segue o legado de seu antecessor e ainda consegue trazer novas abordagens sobre descobertas, sexualidade e confiança.
O Próximo Capítulo
O Pale Waves atravessou fases, ajustou a própria identidade sonora e segue encontrando novos públicos a cada ciclo. Após abrir shows para nomes como Halsey, The 1975 e 5 Seconds of Summer, a banda se prepara para um 2026 grandioso, eles serão os responsáveis pela abertura dos shows na turnê “How Did We Get There?” do Louis Tomlinson durante as apresentações na Europa e Reino Unido. O grupo faz parte do combo de bandas que faz muitos jovens se identificarem e transformarem as letras em trilha sonora de suas próprias experiências.
Vale a pena ficar de olho para os próximos passos do grupo e revisitar os álbuns que talvez estejam escondidos nas playlists do Spotify. Como afirmou Heather Baron-Gracie em uma entrevista concedida à Atwood Magazine, “Para mim, a música e a arte servem para que as pessoas não se sintam tão sozinhas e isoladas. Quero ser aquela pessoa que meus fãs admiram e em quem encontram conforto.”
Se essa sempre foi a proposta, Pale Waves continua cumprindo seu papel.
